A história do Alicarius

4 min de leitura Alicarius

Os três sócios do Alicarius debaixo do letreiro Alicarius desde 1999

O Alicarius abriu em Aveiro em 1999. Em 2015 passou para as mãos de três amigos, o Francisco, o Tiago e o Filipe, que fizeram uma promessa ao antigo dono e a cumprem até hoje. Esta é a nossa história: o que mudou e o que nunca vai mudar.

Três amigos e um plano que caiu

O Francisco e o Tiago são amigos de infância. A vida levou-os por caminhos diferentes, o Francisco foi polícia e o Tiago engenheiro civil, mas quase sempre nas mesmas cidades e ao mesmo tempo. Partilhavam o gosto pela mesa, pelo convívio e uma vontade antiga de ter um negócio próprio.

Antes do Alicarius, tinham outro projeto de restauração pronto a abrir. Estava tudo preparado. Mas, à última hora, o espaço acabou por ser vendido e o negócio caiu.

Por essa altura juntou-se o Filipe, que vinha do mundo dos ginásios e queria fazer parte de um empreendimento. Desde então, são três.

Os três sócios do Alicarius sentados na cozinha, a brindar com canecas de cerveja
Francisco, Filipe e Tiago.

Uma casa que já tinha nome

Com o primeiro plano desfeito, surgiu a oportunidade: o Alicarius em Aveiro estava à venda. Os sócios mudaram de ideias de um dia para o outro.

Não era começar do zero. Criado pelos antigos proprietários em 1999, o Alicarius já era uma casa conhecida em Aveiro, com clientes fiéis. O nome, que se mantém desde o primeiro dia, vem do latim: "alica" é um cereal parecido com o trigo e a cevada, e o "alicarius" era quem fazia cerveja a partir dele.

Parede de azulejo branco com o letreiro Alicarius e as torneiras de cerveja
O nome mantém-se desde 1999.

A aquisição ficou fechada em 2015, com uma passagem de testemunho combinada por escrito. Durante cerca de três meses, de manhã à noite, um dos sócios esteve sempre na casa a aprender as rotinas e o segredo por trás do molho Alicarius.

Uma promessa sobre o molho

A receita da francesinha chegou ao antigo dono pelas mãos de uma senhora do Porto, e foi afinada por ele ao longo dos anos.

Quando passou a casa, pediu uma coisa: que nada fosse alterado. Os sócios deram-lhe a palavra e cumprem-na até hoje. A francesinha e o molho são exatamente os mesmos.

Molho a ser deitado sobre uma francesinha, com cerveja e batatas fritas ao lado
A francesinha, o mesmo molho da receita original.

O antigo dono não voltou à restauração, mas continua a ser nosso cliente, e fica feliz por ver o Alicarius continuar.

O nosso molho é diferente dos outros. Sabemos o trabalho que nos dá e os ingredientes que leva.

Ainda hoje, o nosso molho é feito apenas pelos três sócios.

Os três sócios junto à panela do molho, um deles a provar com uma colher
O molho sai só das mãos dos três sócios.

O que mudou à volta da francesinha

Se o prato principal ficou intocável, tudo à volta dele foi melhorado.

  • Sobremesas. Passámos a fazê-las nós, caseiras.
  • Entradas. Nasceram a pensar no molho: tequeños, bolinhas de alheira, delícia do ouro e, mais recentemente, ovos rotos.
  • Cervejas. Ficaram só as que têm saída, para nenhuma perder qualidade à espera de ser servida.
Tequeños com molho e uma taça de batatas com chouriço
Entradas pensadas para o molho.

Fevereiro de 2019, tudo abaixo

Durante os primeiros anos, os sócios foram juntando o necessário para dar o primeiro grande passo: transformar o espaço.

Em fevereiro de 2019, o Alicarius fechou durante um mês inteiro. Deitou-se tudo abaixo e a casa foi refeita de raiz: cozinha nova, mesas individuais em vez das corridas, uma esplanada nova e uma sala interior com quase o dobro do tamanho. Em março, reabriu tal como o conheces hoje.

Sala do Alicarius depois das obras, com mesas individuais e o letreiro da casa ao fundo
A sala renovada em 2019.

Uma equipa que fica

Quando os sócios chegaram, a casa trabalhava com três pessoas. Hoje, num turno normal, somos seis a sete, e ao fim de semana chegamos a nove.

Tratamos a equipa como gostaríamos de ser tratados, e é raro alguém sair. Foi também a pensar nela que comprámos o armazém em frente ao restaurante: além da cozinha dedicada ao molho, de que a casa precisava para crescer, tem também um espaço para as pausas e para descomprimir longe do habitual telemóvel.

Crescer casa a casa

Acreditamos ter oportunidade de abrir várias casas, mas o difícil é mantê-las todas com a mesma qualidade de molho e de serviço. Por isso temos uma premissa: crescemos uma casa de cada vez. Depois da Praça, em Aveiro, veio o Glicínias, e depois o Palácio do Gelo, em Viseu.

Balcão do Alicarius no Glicínias, com o letreiro da marca por cima
O Alicarius no Glicínias.

Primeiro consolidamos as casas que temos. Só depois de estar tudo controlado é que passamos à seguinte.

Como o molho só sai das mãos dos três sócios, há um limite para o que conseguimos abrir por conta própria.

Quem vem de propósito

Recebemos clientes de Leiria, Viseu, Coimbra, Figueira da Foz, Porto, Braga e Lisboa. Muitos vêm a Aveiro só para isto.

Numa segunda-feira, às nove e um quarto da noite, clientes habituais da Figueira da Foz ligaram a perguntar a que horas fechava a cozinha. Às dez, respondemos. Pediram-nos que esperássemos e que começássemos as francesinhas quando ligassem, dez minutos antes de chegar.

Esperámos. Chegaram às dez, jantaram e voltaram para a Figueira. Não acontece todos os dias, mas acontece muitas vezes, e prova a experiência e a qualidade que trazemos a quem nos visita.

Mesa com duas francesinhas a serem servidas a clientes
À mesa no Alicarius.

Dar a cara

No Alicarius damos a cara: os sócios estão lá e respondem. Cada crítica, nas redes sociais, ao telefone, por email ou à mesa, tem resposta, e tentamos sempre perceber o lado de quem a fez.

Um dos sócios ao telefone, com um caderno na mão, junto à montra do restaurante
Os sócios estão lá, e respondem.

É isto o Alicarius: uma casa transparente e frontal, com um prato que é o orgulho dela. Quem cá passa, volta.

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